domingo, 15 de março de 2009

...............crianças.................

Os povos não se querem entender,
nem com o triste olhar das crianças
pedindo, suplicando o fim às guerras.
Ninguém as ouve,ninguém as quer ver
muito menos para lhes dar uma palavra de esperança.

Entre as guerras de interesses,
dos senhores todos poderosos
vivem crianças atormentadas.
Sem ter um presente risonho,
nem uma infância digna,
nem esperança num futuro melhor.
Sem saber quanto tempo
Irão sobreviver.

Não têm mais lágrimas para derramar,
o pranto delas é silencioso.
E é tanto o sofrimento em seu olhar,
porque do sangue dos seus fazem mar.

Crianças que sentem no seu pequeno ser
A fome a sede o frio
Tudo o que não deviam conhecer
E muito menos sentir.
Nas mãos e com corações de aço
Dos senhores poderosos
Jamais alguma criança poderá sorrir.


A lágrima de uma criança triste é o meu mar morto, a ferida que me sangra na alma. É preciso pão e amor para iluminar um sorriso na face de uma criança, pois é a alegria delas que traz alguma paz e alegria a este mundo divido e em constante transformação.

quinta-feira, 12 de março de 2009




















Um orfanato vietnamita foi atingido por um bombardeamento.
Entre os feridos, uma menina de 8 anos. Os médicos americanos precisavam de fazer uma transfusão, mas como? Reuniram as crianças e, entre gesticulações, tentavam explicar que precisavam de um voluntário para doar sangue. Depois de um silêncio sepulcral, viu-se um braço magrinho levantar-se. Era um menino. Ele foi preparado e espetaram-lhe uma agulha na veia. Passado um momento, ele deixou escapar um soluço. O médico perguntou se estava a doer e ele negou. Mas não demorou muito e voltou a soluçar, contendo as lágrimas. Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso, mas ininterrupto. Era evidente que alguma coisa estava errada. Foi então que apareceu uma enfermeira da região e começou a conversar com o garoto. O seu rosto ficou novamente tranquilo. A enfermeira explicou então aos americanos: “ Ele pensou que ia morrer. Não tinha entendido o que vocês disseram e pensava que ia ter que dar todo o seu sangue para a menina não morrer”.
O médico aproximou-se dele e perguntou: “Mas se era assim, porque é que te ofereceste para doar o teu sangue?”
E o menino respondeu simplesmente: “Ela é minha amiga”.



Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, uma banana. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de algum tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, mas foi rapidamente parado pelos outros. Depois de alguns golpes, o novo integrante do grupo não subiu mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na agressão ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.
Os cientistas ficaram então com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."


Um dia, um burro caiu num poço e não podia sair dali. O animal chorou fortemente durante horas, enquanto o seu dono pensava no que fazer. Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria de ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena esforçar-se para tirar o burro de dentro do poço. Chamou então os seus vizinhos para o ajudar a enterrar vivo o burro. Cada um deles pegou uma pá e começou a atirar terra para dentro do poço.
O burro entendeu o que estavam a fazer e chorou desesperadamente. Até que, passado um momento, o burro pareceu ficar mais calmo. O camponês olhou para o fundo do poço e ficou surpreendido. A cada pá de terra que caía sobre ele o burro sacudia-a, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até ao topo do poço, passar por cima da borda e sair dali.

domingo, 1 de março de 2009


Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.

Irmã das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
No vento

Se desmorono ou se edifico,
Se permaneço, ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa rimada.
E um dia sei que estarei muda:
- mais nada.

Disfarce


Tento disfarçar a minha dor
com uma face, não se encherga
só eu vejo o sentimento
que sufoca meu coração,
entristece minha alma
e perturba minha mente
por dentro eu grito e choro como
uma criança sendo torturada,
mas por fora sou uma simples pessoa
tentando disfarçar a realidade que vive,
e disfarço tão bem que poucos percebem.


Florbela Espanca

Viver conviver amar

Seria melhor que meus olhos não
vissem as coisas más e tristes
Assim meu coração não sentiria

Seria melhor que meus ouvidos não
Escutassem as mentiras e injurias desta vida
Assim meu coração não sentiria

Seria melhor que minhas narinas não
Farejassem o erro e as falhas que se esparramam neste chão
Assim meu coração não sentiria

Seria melhor que minha boca não
Degustasse o dissabor da decepção e da amargura
Assim meu coração não sentiria

Seria melhor que meu coração não
Sentisse o que meus sentidos experimentam
Assim eu nada sentiria
Assim eu viveria sem harmonia

Mas viver desarmoniosamente é vegetar
O coração merece sentir chorar vibrar
Doer degustar
Isto sim é viver conviver amar