sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Poema do amigo aprendiz

Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Fernando Pessoa


As sem-razões do amor

Eu amo-te porque amo-te,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu amo-te porque amo-te .
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu amo-te porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

....areia........

Gostava de transformar todos os meus problemas,
Os desgostos, lágrimas, tristezas e dilemas
Num simples punhado de areia…
Que se escapulisse por entre os meus dedos como o canto da sereia.

Mas são pedaços de mim,
São partes do que sou,
Um a um, são o de onde vim
E traços do caminho para onde vou.

Resta-me então juntar-lhe água
Moldar aquele vulto disforme…
Num busto ou estátua de mágoa,
Que a erosão em alegria transforme!!!

Será uma obra única… transparente,
Exibida no meu sentir diferente.
E quem a consiga ler… interpretar,
Será criatura digna da minha forma de amar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O quanto dói chegar a esse ponto de só contar com a humildade porque tudo o resto já está perdido, algures entre um sentimento de incompreensão, dois actos não pensados e loucos e muita dor como resposta.
O quanto dói perceber o porque das dúvidas, saber porque é que elas existem mesmo que estas quando se transformarem em certezas nos tragam amargos momentos de solidão e conflito connosco próprios, já para não falar no mundo, porque esse, esse fica bem longe, fora do nosso alcance porque a nossa dor não quer saber dele para nada.
Estas palavras podem soar o limiar da loucura ou da depressão a muitos cépticos, ou como já ouvi alguns autoentitularem-se: apenas pessoas práticas, mas a verdade é que eu tenho um coração que não serve apenas para fazer circular o sangue pelo meu corpo e assim manter-me fisiologicamente viva.
Ele também me faz sentir quente,viva e cheia de força quando estou feliz, da mesma maneira que me obriga a abraçar o peito para tentar diminuir a dor que a ausência de outro coração me faz.
Sim, outro coração, não acredito em contos de fadas cor-de-rosa e com bruxas cadavéricas e más a castigar sempre a pobrezinha da Cinderela...eu sou a minha própria bruxa, eu crio os meus próprios problemas, ou arranjo sempre forma de os complicar, e acredito que ninguém, mas ninguém mesmo, consegue ser feliz de verdade sozinho. Até a pessoa mais prática precisa de outro prático a seu lado para ver a sua natureza directa apreciada.
A minha batalha passa por encontrar a essência que nos permite manter o nosso coração a bater das duas maneiras, por completo e sem fantasmas. Mas esta batalha não se ganha em dois dias...já caí ferida e cheia de dores mais do que desejava, sempre por minha culpa ( e isso ainda dói mais) mas obriguei-me a levantar porque o tempo urge e não posso cometer o mesmo erro segunda vez, não da mesma forma nem no mesmo contexto. E nestas quedas magoei quem só queria ver feliz e fazer feliz. Percebo agora que, infelizmente, não caí sozinha... Não me orgulho dessa dor que infligi, muito pelo contrário. Sinto-me abençoada e ao mesmo tempo ainda mais dorida porque que não estive só, nem mesmo nos meus erros.
Os meus defeitos, no meio desta batalha, pregam-me rasteiras e eu caio nelas com uma facilidade incrivelmente assustadora e irritante. Estes estão a ser domados, aos poucos, porque eu quero-os erradicados do meu ser porque disso depende a minha vitória.
Serei capaz de ultrapassar esta demanda? Tenho todo o meu ser, vontade e fé empenhados nisso. Eu não quero acreditar...eu acredito que sim.

De profundis

Encontro, algures na minha natureza, alguma coisa que me diz que não há nada no mundo que seja desprovido de sentido, e muito menos o sofrimento. Essa qualquer coisa, escondida no mais fundo de mim, como um tesouro num campo, é a humildade. É a última coisa que me resta, e a melhor (...). Ela veio-me de dentro de mim mesmo e sei que veio no bom momento. Não teria podido vir mais cedo nem mais tarde. Se alguém me tivesse falada dela, tê-la-ia rejeitado. Se ma tivessem oferecido, tê-la-ia rejeitado (...). É a única coisa que contém os elementos da vida, de uma vida nova (...). Entre todas as coisas ela é a mais estranha (...). É somente quando perdemos todas as coisas que sabemos que a possuímos.

Oscar Wilde

terça-feira, 14 de abril de 2009

Café acompanhado com gato....não é o que parece!!!!


Neste momento, o último grito em cafetarias no Japão são locais onde se pode beber um café enquanto se mima um gato... A ideia está a vingar em massa e não é de estranhar, já que estamos a falar de um país onde um terço da população vive só.
Tudo começou no estabelecimento "Neko JaLaLa", com um nome muito simbólico, dado que Maneki Neko (uma escultura de um gatinho saudando com uma pata dianteira levantada), é uma espécie de um "gato da sorte", presente em todos os lares japoneses.
A idéia é proporcionar um ambiente de descompressão para as pessoas stressadas e apreciadoras mas privadas da companhia felina, já que uma boa fracção dos edifícios de Tóquio proíbe a presença de animais de estimação.
E como não se pode ter só em atenção o bem estar das pessoas que recorrem aos poderes tranquilizantes de um manto peludo e sedoso de um felino, existem regras rígidas de higine e desinfecção, como lavar as mãos com um sabonete neutro e friccioná-las com álcool, para evitar a transmissão de vírus aos animais.
Os gatos, dado as suas personalidades fortes, livres e caprichosas, começam a ocupar um lugar privilegiado na sociedade nipónica, ultrapassando já os cães, isto porque as pessoas reprimidas socialmente, seja a nível profissional e/ou pessoal invejam essas características dos felinos que os tornam tão altivos e inflexíveis em situações de imposições de hierarquia.

Europa diz "não" às peles de cães e gatos

A partir do dia 1 de Janeiro deste ano, deixou de se poder fabricar, importar, exportar e vender qualquer artigo feito com peles de cães e gatos, em todo o território europeu. Em comunicado, a comissária europeia para a Saúde, expressou a sua satisfação pela entrada em vigor da medida, proposta por Bruxelas em Novembro de 2006, e aprovada pelo Parlamento Europeu e Estados-membros em 2007.
O aparecimento deste tipo de produtos no mercado europeu no passado - a maior parte das quais importados da China e na esmagadora maioria dos casos não declarados como tal - originou dezenas de milhares de reclamações à Comissão e ao Parlamento Europeu.
Estas restrições têm como objectivo acabar com a venda na Europa de roupas, acessórios e, inclusive, brinquedos. Para além disto, exige também que os importadores e comerciantes garantam que os artigos em questão são realizados em peles sintéticas e não peles naturais tratadas de forma a passar por sintéticas, no fabrico de peluches, por exemplo.

É um começo, de facto. Espero que este decreto de lei seja cumprido à risca por todos os países da UE, pois, se assim fosse, num futuro próximo, a China e outros países responsáveis pelos actos mais cruéis para com os animais, seriam obrigados a cessar com este tipo de actividades.
Talvez esse futuro ainda não seja assim tão próximo mas, sem fé e persistência nada se consegue...