O quanto dói chegar a esse ponto de só contar com a humildade porque tudo o resto já está perdido, algures entre um sentimento de incompreensão, dois actos não pensados e loucos e muita dor como resposta.
O quanto dói perceber o porque das dúvidas, saber porque é que elas existem mesmo que estas quando se transformarem em certezas nos tragam amargos momentos de solidão e conflito connosco próprios, já para não falar no mundo, porque esse, esse fica bem longe, fora do nosso alcance porque a nossa dor não quer saber dele para nada.
Estas palavras podem soar o limiar da loucura ou da depressão a muitos cépticos, ou como já ouvi alguns autoentitularem-se: apenas pessoas práticas, mas a verdade é que eu tenho um coração que não serve apenas para fazer circular o sangue pelo meu corpo e assim manter-me fisiologicamente viva.
Ele também me faz sentir quente,viva e cheia de força quando estou feliz, da mesma maneira que me obriga a abraçar o peito para tentar diminuir a dor que a ausência de outro coração me faz.
Sim, outro coração, não acredito em contos de fadas cor-de-rosa e com bruxas cadavéricas e más a castigar sempre a pobrezinha da Cinderela...eu sou a minha própria bruxa, eu crio os meus próprios problemas, ou arranjo sempre forma de os complicar, e acredito que ninguém, mas ninguém mesmo, consegue ser feliz de verdade sozinho. Até a pessoa mais prática precisa de outro prático a seu lado para ver a sua natureza directa apreciada.
A minha batalha passa por encontrar a essência que nos permite manter o nosso coração a bater das duas maneiras, por completo e sem fantasmas. Mas esta batalha não se ganha em dois dias...já caí ferida e cheia de dores mais do que desejava, sempre por minha culpa ( e isso ainda dói mais) mas obriguei-me a levantar porque o tempo urge e não posso cometer o mesmo erro segunda vez, não da mesma forma nem no mesmo contexto. E nestas quedas magoei quem só queria ver feliz e fazer feliz. Percebo agora que, infelizmente, não caí sozinha... Não me orgulho dessa dor que infligi, muito pelo contrário. Sinto-me abençoada e ao mesmo tempo ainda mais dorida porque que não estive só, nem mesmo nos meus erros.
Os meus defeitos, no meio desta batalha, pregam-me rasteiras e eu caio nelas com uma facilidade incrivelmente assustadora e irritante. Estes estão a ser domados, aos poucos, porque eu quero-os erradicados do meu ser porque disso depende a minha vitória.
Serei capaz de ultrapassar esta demanda? Tenho todo o meu ser, vontade e fé empenhados nisso. Eu não quero acreditar...eu acredito que sim.